Mãos lixando um remendo de massa na parede com taco de lixa

Lixa para parede e madeira: erros na escolha do número

Na lixa, quanto maior o número, mais fino é o grão. Uma lixa 80 arranca material depressa e deixa risco fundo; uma 220 quase só alisa. Quase todo erro de quem começa vem de inverter essa lógica ou de usar um número só para tudo.

Eu aprendi isso num furo de bucha da sala. Tapei com massa, esperei secar e peguei a primeira lixa que achei na maleta do meu pai, uma folha 80 meio dobrada. Em dois minutos o remendo estava liso ao toque. Depois da tinta, apareceu um círculo cheio de riscos em espiral, visível de lado com a luz da janela.

Como ler o número da folha

O número vem impresso no verso da folha, às vezes acompanhado de uma letra, como P120. Ele indica o tamanho dos grãos colados no papel. Quanto mais grãos cabem numa mesma área, menores eles são, por isso o número sobe quando a lixa fica mais fina.

Para um apartamento, eu trabalho com poucas faixas:

  • grossa (60 a 100): tirar verniz ou tinta velha de madeira, desbastar uma rebarba;
  • média (120 a 150): nivelar massa de remendo, preparar madeira já lisa para pintar;
  • fina (180 a 220): acabamento da massa antes da tinta, lixa leve entre uma demão e outra;
  • muito fina (acima de 320): quase sempre lixa d’água, para acabamento delicado.

Essa divisão não é tabela de fabricante. É o que resolveu os serviços que eu fiz em casa, e serve como ponto de partida para perguntar no balcão da ferragem.

Erro 1: começar a massa com lixa grossa

Foi o erro do furo da sala. A massa corrida é macia depois de seca, e uma lixa 80 corta fundo nela. O remendo fica nivelado, só que cheio de sulcos que a mão não sente e a tinta denuncia, porque a tinta segue o relevo e o risco vira sombra.

A correção foi passar uma camada fina de massa por cima, esperar secar e lixar de novo, agora com 150 e depois 220. Hoje eu começo a massa já na faixa média. Se o remendo ficou muito alto, é sinal de excesso na espátula, e o jeito de evitar está no passo a passo de massa corrida: camadas finas dão menos trabalho na hora de lixar.

Erro 2: pular do grosso direto para o fino

Esse aconteceu numa prateleira de madeira com verniz descascado, que eu queria pintar de branco. Comecei com 80 para tirar o verniz, o que estava certo, e fui direto para a 220. A 220 não dá conta dos riscos da 80. Ela alisa o topo deles e deixa o fundo lá embaixo. Depois do primeiro esmalte, a prateleira mostrou linhas paralelas no sentido em que eu tinha lixado.

A regra que passei a seguir é subir em degraus: 80, depois 120, depois 180 ou 220. Cada número apaga os riscos do anterior. Pular um degrau parece economia de tempo, e cobra o tempo de volta com uma demão a mais de tinta que também não esconde.

Um teste simples ajuda a saber quando trocar de folha: passar um lápis de leve, em zigue-zague, sobre a área e lixar até as marcas sumirem por igual. Quando o lápis some, aquele número terminou o serviço dele.

Erro 3: usar lixa de madeira na parede

A lixa comum de madeira tem os grãos bem juntos. Na massa, o pó fino entra entre esses grãos e, em poucas passadas, a folha vira uma superfície lisa que só empurra pó de um lado para o outro. Comigo, uma folha de madeira ficou branca e sem corte antes de eu terminar um remendo do tamanho da palma da mão.

Na ferragem, o atendente me mostrou a lixa para massa: o grão é mais espaçado e o pó sai com uma batida da folha. Ela rende bem mais na parede. Na madeira, a lixa própria para madeira funciona melhor. Quando for comprar, vale dizer em que superfície a folha vai ser usada em vez de pedir só o número.

Erro 4: lixar sem apoio firme

Na primeira vez que passei massa no corredor, segurei a lixa com a ponta dos dedos e cavei três canaletas no remendo. Os dedos fazem pressão em pontos, e a lixa acompanha esses pontos. A superfície fica ondulada mesmo com o número certo.

O taco de lixa resolve. É um bloco onde a folha fica presa e esticada, e a pressão se espalha por igual. Na falta dele, um pedaço de madeira reto com a folha dobrada em volta funciona. Para madeira com curva, como o pé de uma cadeira, uma esponja firme no lugar do bloco acompanha o formato sem achatar.

O movimento também conta. Na parede, faço círculos largos e leves. Na madeira, vou sempre no sentido dos veios, porque o risco atravessado aparece mais depois do verniz ou da tinta.

Erro 5: usar a mesma folha até não sobrar grão

Lixa gasta parece funcionar porque ainda solta pó. Só que o pó é da própria superfície sendo esfregada, e não do corte. A folha gasta esquenta, alisa a massa em vez de nivelar e faz o trabalho durar o dobro. Na madeira, ela chega a polir uma parte e deixar a outra áspera.

Eu bato a folha na beira do balde a cada pouco para soltar o pó. Quando ela continua lisa depois da batida, troco. Uma folha cortada em quatro rende mais do que uma inteira presa no taco até o fim, porque uso um pedaço novo por trecho e os outros ficam guardados.

Lixa d’água: onde ela entra

A lixa d’água tem o verso impermeável e é usada molhada. A água carrega o pó, a folha não entope e o acabamento sai mais liso. Ela aparece em números bem altos e serve para acabamento fino: tirar uma bolinha de poeira que grudou no verniz entre uma demão e outra, alisar uma peça de metal, polir um detalhe.

Na parede de massa ela não serve. A massa corrida amolece com água, e lixar molhado vira lama. Na minha caixa há duas folhas finas de lixa d’água e ainda não gastei nenhuma inteira.

Qual número usar em cada serviço

Serviço Número que eu uso O que evitar
Furo de bucha tapado com massa 150, depois 220 Começar com 80
Massa corrida num trecho de parede Lixa para massa 150 ou 180, acabamento 220 Lixa comum de madeira, que entope
Parede pintada antes de retocar 220, bem leve, só para quebrar o brilho Lixar até aparecer a massa por baixo
Madeira com verniz descascando 80, depois 120, depois 180 ou 220 Pular do 80 para o 220
Madeira já lisa antes da tinta 120 ou 150 Lixa grossa, que abre riscos novos
Entre uma demão e outra de verniz Lixa fina ou lixa d’água bem leve Força, que atravessa a demão

No retoque de parede pintada, a lixa só prepara. O que faz a diferença no resultado final está nos erros que deixam o retoque de tinta aparecendo, e lixar demais é um deles.

Como guardar as folhas

Depois que comprei folhas de três números diferentes, comecei a confundir tudo, porque o número no verso some com o uso. Hoje as folhas ficam num envelope de papel pardo, uma divisória para cada número, escrito a caneta por fora. O envelope mora na tampa da maleta, junto com o resto da caixa de ferramentas básica.

Lixa guardada em lugar úmido, como embaixo da pia, empena e solta grão. Na área de serviço, longe do tanque, ela dura bem.

Perguntas frequentes

O que significa o número da lixa?

É o tamanho do grão. Número baixo, como 60 ou 80, é grão grosso, que desbasta rápido. Número alto, como 220, é grão fino, que alisa. O serviço sempre vai do menor para o maior.

Qual lixa usar na massa corrida antes de pintar?

Uma lixa para massa na faixa de 150 a 180 para nivelar e uma 220 para o acabamento, com taco e movimentos leves. Lixa grossa deixa riscos que aparecem depois da tinta.

Lixa de madeira e lixa de parede são a mesma coisa?

Não. A de madeira tem grãos mais juntos e entope rápido com o pó da massa. A de parede, vendida como lixa para massa, tem grão espaçado e solta o pó com uma batida.

Para que serve a lixa d’água?

Para acabamento fino com água, em verniz, metal ou peças pequenas. A água leva o pó e a folha não entope. Na massa corrida não se usa, porque a massa amolece.

Posso usar a mesma lixa em parede e em madeira?

Dá para usar em emergência, mas a folha entope na parede e rende pouco. Se for fazer os dois serviços, compre uma folha de cada tipo.

Antes do próximo serviço, separe as folhas que você tem em casa, confira o número no verso e escreva a lápis onde ele estiver apagado. Com três números marcados, 120, 150 e 220, dá para fazer quase todo reparo de parede e madeira de um apartamento.