Mãos segurando o mecanismo de uma torneira desmontada, com chave inglesa e vedante de borracha sobre a pia

Torneira pingando: como troquei o vedante sem chamar ninguém

A torneira da cozinha pingava por causa de uma borrachinha do tamanho de uma unha, gasta e com a borda rachada. Trocar essa peça, o vedante, levou uns quinze minutos com a água fechada. O que demorou foi descobrir qual registro cortava a água da cozinha.

O pingo começou devagar e foi aumentando. No fim, mesmo com o volante apertado até o limite, caía uma gota atrás da outra na cuba, e de noite dava para ouvir do quarto. Apertar mais forte piorava: em poucos dias o volante já pedia força para fechar.

A torneira da minha cozinha é do tipo antigo, de rosca, que dá várias voltas para abrir. Nesse modelo, o defeito mais comum é justamente o vedante, e a troca dá para fazer em casa com ferramenta simples.

Torneira de rosca ou de um quarto de volta

Antes de pensar em peça, gire o volante e conte. Se ele dá várias voltas até abrir tudo, a torneira é de pressão, com um vedante de borracha na ponta do mecanismo. Se abre com meia volta ou um quarto de volta, ou se é de alavanca, o mecanismo é de cerâmica e não usa esse vedante.

Este relato serve para a torneira de várias voltas. A de cerâmica também tem conserto, mas a peça e a desmontagem mudam, e eu ainda não fiz.

O que separei antes de abrir a torneira

  • Chave inglesa ou chave de boca do tamanho do castelo, a peça sextavada que fica sob o volante.
  • Chave Phillips para o parafuso do volante e uma chave de fenda pequena para o parafuso do vedante.
  • Fita crepe para forrar os dentes da chave inglesa.
  • Um pano de prato velho e um saco plástico pequeno.
  • A lanterna do celular.

Quase tudo saiu da caixa de ferramentas básica. A chave inglesa eu achei no fundo da maleta do pai, embrulhada num pano.

Tempo, no meu caso: meia hora procurando o registro, quinze minutos de desmontagem e montagem, e uma ida à ferragem no meio. A lição de levar a peça velha na mão veio da troca do sifão da pia, e dessa vez poupou a segunda viagem.

O registro certo num prédio antigo

Num apartamento dos anos 80, cada registro pode fechar uma parte diferente da casa. Fechei primeiro o do banheiro, achando que era o geral. A cozinha continuou com água: aquele só cortava o chuveiro e a pia do banheiro.

O da cozinha estava na parede da área de serviço, atrás da tábua de passar, numa altura que eu nunca olhava. Fechei, abri a torneira da cozinha toda e esperei até parar de sair água. Esse é o teste: se a torneira aberta seca, o registro certo está fechado.

Se o registro estiver duro, girando em falso ou pingando no próprio corpo, não force. Registro quebrado dentro da parede é conserto de encanador, e no prédio pode ser preciso falar com o síndico para cortar a água por fora.

Desmontando a torneira até chegar no vedante

  1. Tampei o ralo da pia com a tampinha de borracha. O parafuso do vedante é minúsculo, e se ele cai no ralo o conserto acaba ali.
  2. Tirei a capinha do volante, que na minha torneira sai com a ponta de uma faca sem fio, e soltei o parafuso de baixo com a chave Phillips.
  3. Puxei o volante para cima. Saiu duro, com sujeira presa nas estrias.
  4. Enrolei fita crepe nos dentes da chave inglesa para não riscar o cromado e desrosqueei o castelo no sentido anti-horário.
  5. Na ponta do castelo estava o vedante, preso por um parafusinho no centro.

A borracha tinha um sulco fundo em volta, a marca do assento da torneira. A borda estava rachada em dois pontos. Era por ali que a água passava, por mais que eu apertasse o volante.

O parafuso do vedante era de fenda e estava meio gasto. Usei a chave que encaixava sem folga, como expliquei no post sobre tipos de parafuso e de chave, e ele saiu sem espanar.

Na ferragem, com a peça no saco

Coloquei o castelo inteiro no saco plástico, com o vedante velho e o parafuso, e fui à ferragem do bairro. Vedante tem tamanhos diferentes, e a borracha velha deformada engana quem tenta medir a olho.

O atendente encostou o vedante velho em alguns novos até achar o mesmo diâmetro. Ele perguntou se eu queria trocar o reparo inteiro, que é o mecanismo completo do castelo, em vez de só a borracha. Olhou a rosca, viu que estava inteira e disse que a borracha bastava. Saí com dois vedantes: um para usar e um de reserva.

Quando a rosca do castelo está gasta ou a haste fica bamba, a troca do reparo inteiro faz mais sentido. O jeito de trocar é o mesmo: desrosqueia o velho e rosqueia o novo no lugar.

Onde eu errei na montagem

Prendi o vedante novo com o parafusinho, rosqueei o castelo com a mão até encostar e dei o aperto final com a chave inglesa. Recoloquei o volante, abri o registro e fechei a torneira.

Fechei com a mesma força de antes, a força de quem passou meses brigando com o pingo. Na manhã seguinte o volante estava duro e a torneira pingava de novo, mais devagar. Desmontei e o vedante novo já tinha um sulco marcado, de tanto ser esmagado contra o assento.

Troquei pela borracha reserva e mudei o hábito. A torneira de rosca fecha com o aperto da mão até a água parar, e para ali. Com vedante novo, a água para cedo. Se for preciso força para estancar, o defeito está em outra parte.

O outro erro foi não limpar o assento, a borda de metal onde o vedante encosta dentro do corpo da torneira. Tinha uma crosta branca em volta. Na segunda montagem passei um pano úmido enrolado na ponta da chave de fenda, sem raspar o metal. Desde então, a cuba fica seca.

Quando o pingo não é o vedante

Antes de desmontar, olhe de onde a água sai. Cada lugar aponta para uma peça diferente.

Onde aparece a água O que costuma ser O que eu faço
Pinga da bica com a torneira fechada Vedante gasto ou assento sujo Troco o vedante e limpo o assento
Sai água em volta do volante com a torneira aberta Vedação do castelo Troco o reparo inteiro
Vaza na base da bica que gira Anel de borracha da bica Levo a bica à ferragem; se não sair, chamo encanador
Escorre pela parede atrás da torneira Conexão dentro da parede Encanador; no aluguel, aviso a imobiliária
Continua pingando com vedante novo e assento limpo Assento riscado ou corpo gasto Encanador ou torneira nova
Registro não fecha ou gira em falso Defeito do registro Não forço; síndico ou encanador

No apartamento alugado, a troca da borrachinha eu faço e guardo a nota junto com os papéis do imóvel. Vazamento dentro da parede é do imóvel e vai para a imobiliária antes de qualquer tentativa minha.

Perguntas frequentes

Por que a torneira pinga mesmo bem fechada?

Na torneira de rosca, quase sempre o vedante gastou ou o assento juntou sujeira. A borracha marcada não encosta por inteiro e a água passa pelo sulco. Apertar mais deforma a borracha e acelera o desgaste.

Preciso fechar o registro geral para trocar o vedante?

Precisa fechar o registro que alimenta aquela torneira. Em prédio antigo, pode ser um registro da cozinha ou da área de serviço. Depois de fechar, abra a torneira: se a água parar de sair, é o certo.

Como saber o tamanho do vedante da minha torneira?

Leve o vedante velho, de preferência com o castelo, à ferragem. O atendente compara com os novos. Medir a borracha deformada em casa costuma dar errado.

Troquei o vedante e continua pingando: o que pode ser?

Confira se o vedante ficou centrado e preso pelo parafuso, se o assento está limpo e se você fechou só com a mão. Se ainda pingar, o assento pode estar riscado, e aí é caso de encanador ou de torneira nova.

Hoje mesmo dá para fazer o teste das voltas no volante e procurar o registro que corta a água da cozinha. Com essas duas respostas, a troca cabe numa manhã e numa ida só à ferragem.