Seis miudezas evitam que um reparo pare no meio: buchas 6 e 8 com os parafusos certos, fita crepe, fita veda rosca, um vedante de torneira de reserva, lixa 150 e 220 e um punhado de palitos de madeira com cola branca. Tudo cabe numa caixa de sapato.
Ferramenta a gente compra uma vez. Miudeza acaba, some ou resseca, e quase sempre falta num domingo à noite. Foi assim que o gancho do pano de prato caiu da parede da cozinha: eu tinha furadeira, broca e parafuso, mas a última bucha 6 tinha ido nos ganchos da área de serviço. A ferragem do bairro estava fechada e o pano ficou pendurado no puxador do forno até terça.
A lista abaixo é a que ficou depois disso, separada pelo tipo de serviço. Ela completa a caixa de ferramentas básica, que trata só das ferramentas.
Fixação: buchas, parafusos e pregos
É o que mais acaba. Eu guardo bucha 6 e bucha 8, cada tamanho com o parafuso que acompanha, porque bucha com parafuso fino demais não abre e não firma. A 6 segura quadro, gancho e suporte leve. A 8 vai em prateleira pequena, varão e espelho.
Compro em cartela ou saquinho pequeno, com bucha e parafuso juntos. A broca de cada uma leva o mesmo número, e a explicação completa está no texto sobre qual broca usar para cada bucha.
Bucha 10 eu não deixo guardada. Usei uma vez só, e comprei junto com o suporte que pedia. Bucha de drywall também entra só quando o serviço aparece, porque depende da parede.
O checklist da fixação ficou assim:
- buchas 6 com parafusos;
- buchas 8 com parafusos;
- uma caixinha de pregos finos de cabeça pequena, para quadro leve e fundo de compensado de móvel que soltou;
- alguns parafusos curtos de madeira, para dobradiça e puxador que afrouxaram.
Fitas: a crepe e a veda rosca
Fita crepe é a miudeza que eu mais uso, e quase nunca para colar alguma coisa. Ela marca o ponto do furo na parede, segura o cordão de silicone reto no box, protege o rodapé na hora do retoque e vira etiqueta em pote e cabo de chave. Um rolo fica sempre aberto na caixa e outro fechado, de reserva.
Fita veda rosca é aquela fita branca e fininha, de plástico, que vem num carretel pequeno. Ela vai enrolada na rosca de uma conexão de água para vedar o encaixe: a rosca de uma torneira de parede quando ela é trocada, a de um registro de tanque, a de um bico de mangueira. As voltas vão no mesmo sentido em que a peça será apertada.
Aprendi isso trocando a torneira do tanque. Enrolei no sentido contrário, e quando girei a torneira a fita embolou e saiu para fora da rosca. Tirei tudo, enrolei de novo no sentido do aperto e não pingou mais.
Se a conexão continua pingando com fita nova e bem enrolada, ou se o pingo vem de dentro da parede, o serviço já é de encanador.
Água e vedação: as peças pequenas que a ferragem nem sempre tem
Depois que a torneira da cozinha pingou, passei a guardar um vedante reserva do mesmo tamanho. Ele é minúsculo, custa pouco, e a ferragem nem sempre tem o modelo de uma torneira antiga. Na troca eu já tinha comprado dois e precisei do segundo na manhã seguinte, então hoje sempre sobra um na caixa.
No mesmo saquinho ficam:
- um vedante reserva para cada torneira de rosca da casa;
- um tubo pequeno de silicone incolor, para retocar um canto do box ou a junta da pia com a parede;
- o anel de borracha que veio sobrando no sifão novo da cozinha.
O silicone aberto resseca no bico. Eu tampo a ponta com um prego enfiado até o fundo e, mesmo assim, considero o tubo perdido se o silicone sair em pelotas. Para refazer o cordão do box inteiro, compro um tubo novo.
Lixa, massa e o conserto do furo espanado
Duas folhas de lixa bastam como reserva: uma 150 e uma 220. Com elas dá para acertar um remendo de massa e preparar uma peça de madeira para a tinta. O porquê dos números está no texto sobre erros na escolha da lixa.
Massa eu guardo só a lata pequena que já está aberta, fechada com filme plástico encostado na superfície. Comprar lata de massa para deixar guardada não compensa, porque ela endurece antes do próximo furo.
Palitos de dente e cola branca entram na lista por um motivo só: furo de parafuso espanado na madeira. Enfio dois ou três palitos com cola no furo, quebro rente, espero a cola secar e parafuso de novo. Foi assim que a dobradiça da porta da Júlia voltou a firmar, no conserto contado no texto da porta arrastando no chão.
O que cada miudeza resolve
| Miudeza | Reparo que ela resolve | Quanto deixar guardado |
|---|---|---|
| Bucha 6 com parafuso | Quadro, gancho, suporte leve | Uma cartela |
| Bucha 8 com parafuso | Prateleira pequena, varão, espelho | Uma cartela |
| Pregos finos | Quadro leve, fundo de móvel solto | Uma caixinha |
| Parafuso curto de madeira | Dobradiça e puxador frouxos | Um punhado |
| Fita crepe | Marcar furo, proteger rodapé, etiquetar | Um rolo aberto e um fechado |
| Fita veda rosca | Rosca de torneira e de registro | Um carretel |
| Vedante de torneira | Torneira de rosca pingando | Um por torneira |
| Silicone incolor | Retoque de cordão no box e na pia | Um tubo pequeno |
| Lixa 150 e 220 | Remendo de massa, madeira antes da tinta | Uma folha de cada |
| Palitos e cola branca | Furo de parafuso espanado | Uma caixinha e um frasco pequeno |
Como guardar sem misturar
Miudeza solta some. Eu uso potes de vidro de azeitona e de geleia, lavados, cada um com uma tira de fita crepe na tampa escrita a caneta com o conteúdo. O vidro deixa ver o que está no fim sem abrir o pote.
Os potes ficam em pé numa caixa de sapato, ao lado da maleta do meu pai, em cima do armário da área de serviço. Fitas, vedantes e silicone vão num saco plástico com fecho dentro da mesma caixa, porque o vedante é pequeno a ponto de sumir no fundo de qualquer gaveta.
A cartela da bucha eu recorto e guardo dentro do pote. Atrás dela vem escrito o tamanho, e isso tira a dúvida na hora de escolher a broca.
No primeiro sábado do mês, o mesmo da triagem da papelada, abro a caixa e anoto no celular o que está acabando. Na ida seguinte à ferragem, compro só o que está na nota e mostro ao atendente a cartela velha quando não lembro o nome da peça.
O que eu parei de comprar
Kit sortido com centenas de parafusos foi o primeiro. Comprei um no começo e uso dois ou três tamanhos dele. O resto ocupa espaço e mistura tudo no dia em que a caixinha vira no chão.
Cola instantânea em tubo grande foi a segunda. Depois de aberta, ela endurece no bico e quase nunca chega ao segundo conserto. Hoje compro o tubinho pequeno quando a peça quebrada aparece.
Massa em balde também saiu da lista, pelo motivo que contei acima. E tudo que é de fio ou de tomada, além de trocar o espelho com o disjuntor desligado, não tem miudeza na minha caixa: é serviço para eletricista.
Perguntas frequentes
Quais parafusos e buchas vale ter guardados?
Buchas 6 e 8 com os parafusos que vêm na cartela, alguns parafusos curtos de madeira e pregos finos. Bucha 10 e bucha de drywall entram quando o serviço pede.
Para que serve a fita veda rosca?
Para vedar encaixes de rosca na água, como torneira, registro de tanque e bico de mangueira. Ela vai enrolada em volta da rosca, no sentido do aperto.
Como guardar parafusos soltos sem misturar?
Em potes transparentes com etiqueta na tampa, um tamanho por pote, todos reunidos numa caixa só.
Silicone e cola abertos duram quanto tempo?
Depende do produto, e a embalagem informa. Na prática, silicone que sai em pelotas ou cola endurecida no bico já não serve.
Para começar, abra a caixa de ferramentas, tire tudo que é miudeza e compare com a tabela acima. O que faltar vai para uma nota no celular, junto com a foto das cartelas que você já tem, para a próxima ida à ferragem.
