Cada objeto da casa deve ficar tão perto da mão quanto a frequência com que é usado. O que entra em uso todo dia fica na altura entre a cintura e os olhos. O que se usa uma vez por semana fica ao alcance, mas pode pedir um passo ou um puxão. O que aparece poucas vezes por ano vai para o alto, para o fundo ou para uma caixa etiquetada.
É uma regra só, e ela explica por que a casa desarruma de novo poucos dias depois de uma faxina geral. A arrumação costuma seguir a estética: o que combina fica junto, o que é bonito fica à vista. Só que a casa é desfeita pelo uso, e o uso segue o caminho mais curto.
Por que a arrumação não dura
Quando guardar uma coisa dá mais trabalho do que deixá-la em cima da mesa, ela fica em cima da mesa. Isso vale para a chave, o carregador, a correspondência e o casaco. Se o lugar certo exige abrir duas portas e mexer em outra coisa, ninguém usa o lugar certo.
Aqui em casa vi isso com a mochila da Júlia, que passou meses largada no sofá. Troquei de lugar o gancho onde ela devia ficar, que era no quarto, por um gancho na parede da entrada, e a mochila parou de ir para o sofá em uma semana. Nada na menina mudou. Mudou a distância.
As três zonas
Para aplicar a regra, divido qualquer cômodo em três zonas, que servem para armário, gaveta, estante ou cantinho de bancada.
| Zona | Frequência | Onde fica | Exemplos |
|---|---|---|---|
| À mão | Todo dia | Entre a cintura e os olhos, na frente | Canecas, escova de cabelo, chaves, carregador |
| Ao alcance | Uma ou duas vezes por semana | Prateleira de baixo ou do meio, atrás da primeira fileira | Toalhas de reserva, forma de bolo, extensão |
| Guardado | Poucas vezes por ano | Alto, fundo ou caixa etiquetada | Enfeite de Natal, mala, ferramenta que pouco se usa |
A zona do meio é a mais traiçoeira. Tudo parece ser de uso semanal na hora de guardar, e é assim que a zona da mão vai ficando entupida. Na dúvida, pergunto a mim mesma quando foi a última vez que usei aquilo. Se não lembro, a coisa vai para a zona de baixo.
Primeiro exemplo: a entrada de casa
Na entrada, a zona da mão tem só o que sai de casa com a gente: chave, carteira, guarda-chuva e a sacola de pano. Um gancho para cada um, na altura do ombro, ao lado da porta.
O guarda-chuva dá uma lição. Fica na entrada só nos meses de chuva. No resto do ano, vai para o fundo do armário da área de serviço. Foi o primeiro objeto que me ensinou que o lugar muda com a estação.
Segundo exemplo: o banheiro
O armário do espelho é pequeno, e eu o enchia com tudo o que existe no banheiro. Passei a deixar nele só o que uso de manhã: escova de cabelo, creme de pentear, desodorante, hidratante. O resto desceu para o armário debaixo da pia, em duas caixas de plástico baixas, uma de reposição (sabonete, papel higiênico, creme dental novo) e outra de itens de uso eventual, como lâmina de barbear e fita adesiva de banheiro.
As caixas vieram do lixo reciclável do prédio e custaram zero. A etiqueta é um pedaço de fita crepe com caneta. Se você precisa de fita crepe para etiquetar e para outros serviços, ela está na lista da caixa de ferramentas básica.
Terceiro exemplo: a gaveta da bagunça
Toda casa tem uma. A minha tinha pilhas, pacotes de chiclete, três chaves sem porta, uma trena e uma caixinha de parafusos. Nada daquilo era usado todo dia, mas a gaveta ficava na cozinha, ao lado do fogão, na zona mais disputada da casa.
Passei a gaveta para a sala, dentro de um armário baixo. A trena e os parafusos ganharam uma caixinha na área de serviço, junto da caixa de ferramentas. Na gaveta da cozinha ficaram fósforo, vela, pilha e fita adesiva. Foi uma semana de estranhamento e depois ninguém voltou a procurar nada no lugar antigo.
Onde a regra falha
A frequência de uso não resolve tudo, e foi preciso ajustar em três pontos.
- Coisa pesada. Uma panela de ferro que uso toda semana não pode ficar na prateleira alta nem em cima de uma pilha. O peso manda mais que a frequência, então ela vai para a prateleira de baixo, mesmo sendo da zona do meio.
- Coisa de uso por mais de uma pessoa. Se a Júlia usa e eu uso, o lugar tem de servir às duas. O que ela alcança com facilidade ficou na altura dela, e o que só eu uso ficou mais alto.
- Coisa que faz sujeira ou cheira. Produto de limpeza forte vai separado da comida, mesmo que seja de uso diário. Fica em lugar fechado, sem misturar com o que vai à mesa.
Quando a regra e o bom senso discordam, o bom senso ganha. Peso, segurança e higiene vêm antes da frequência.
Como testar em uma tarde
- Escolha um só cômodo, de preferência o que mais desarruma.
- Tire tudo de uma gaveta ou de uma prateleira e ponha sobre a mesa. Para um armário de cozinha o passo a passo está no post sobre erros que roubam espaço no armário.
- Faça três montes: todo dia, toda semana, quase nunca.
- Guarde o monte do todo dia primeiro, na zona da mão, e só depois decida onde cabe o resto.
- Etiquete com fita crepe o que foi para o alto ou para o fundo.
- Espere uma semana. Se uma coisa continuar fora do lugar, o lugar está longe demais dela. Troque o lugar, e não a pessoa.
Em apartamento alugado, vale um cuidado a mais: prefira ganchos adesivos que saem sem marca e caixas que não exigem furo. Se um dia o gancho de parede for necessário, o comparativo de buchas por tipo de parede ajuda a escolher a fixação certa antes de furar.
Perguntas frequentes
Como decidir o lugar de cada objeto da casa?
Pergunte com que frequência você usa aquilo. Todo dia: na altura da mão e na frente. Uma vez por semana: ao alcance, um pouco mais atrás. Poucas vezes por ano: no alto, no fundo ou em caixa etiquetada.
O que fazer com as coisas que quase nunca uso?
Guarde em caixa etiquetada, no alto ou no fundo do armário. Se passar um ano sem tocar na caixa, abra e veja se ainda faz sentido ficar com o que está dentro.
Como fazer a família guardar as coisas no lugar?
Deixe o lugar mais fácil do que o jeito errado. Gancho na altura de quem usa, caixa sem tampa e etiqueta simples funcionam melhor do que pedir várias vezes.
De quanto em quanto tempo vale rever a arrumação?
Eu reviso quando muda a estação, porque guarda-chuva, cobertor e ventilador trocam de zona. Nos outros meses, só ajusto o que continua fora do lugar.
Comece hoje por uma gaveta: tire tudo, faça os três montes e guarde primeiro o que você usa todo dia.
